Postagens

Siegfried, de Alex Alice: quando a mitologia nórdica ganha vida

Imagem
Alguns quadrinhos nos conquistam pela história. Outros, pelos personagens. E existem aqueles que permanecem em nossa memória durante anos por causa de uma única imagem. Foi exatamente o que aconteceu comigo e Siegfried , de Alex Alice. Quando morei em Portugal, encontrei essa obra na FNAC do shopping Vasco da Gama, em Lisboa. Não conhecia profundamente o trabalho do autor, mas lembro perfeitamente da impressão que tive ao observar a capa. Era impossível ignorá-la. Havia alguma coisa naquela imagem que transmitia grandiosidade, mistério e uma atmosfera mitológica muito particular. Não comprei o álbum naquela ocasião, mas a imagem permaneceu na minha memória. Anos depois, a Comix Zone publicou a obra no Brasil. Curiosamente, o lançamento acabou passando despercebido por mim. Não me recordo de ter acompanhado uma divulgação significativa. Nem mesmo vi uma apresentação de Thiago Ferreira, um dos nomes à frente da editora, sobre o lançamento. Foi somente quando Siegfried apareceu por acaso...

Fundação e Império, de Isaac Asimov: o homem que desafiou a matemática do futuro

Imagem
  E se o destino de uma civilização inteira pudesse ser previsto matematicamente, mas um único indivíduo fosse capaz de colocar tudo a perder? Essa é a pergunta que atravessa Fundação e Império , segundo volume da trilogia original de Isaac Asimov. Publicado em livro em 1952, o romance retoma o universo apresentado em Fundação , mas introduz uma mudança fundamental: aquilo que parecia uma teoria praticamente infalível começa a revelar suas limitações. No primeiro livro, conhecemos Hari Seldon e sua psico-história, uma ciência fictícia capaz de prever o comportamento de grandes populações por meio da matemática, da estatística e da análise histórica. Seldon não pretendia impedir a queda do Império Galáctico, mas reduzir os milhares de anos de barbárie que se seguiriam ao seu colapso. Para isso, criou a Fundação e elaborou um plano destinado a orientar o desenvolvimento de uma nova civilização. Mas existe uma diferença enorme entre prever o comportamento de milhões de pessoas e antec...

Quarteto Fantástico 1234: será que Reed Richards é o verdadeiro problema?

Imagem
  E se o maior problema do Quarteto Fantástico não fosse o Doutor Destino, mas o próprio Reed Richards? E se sua genialidade, sua aparente indiferença e sua incapacidade de compreender emocionalmente aqueles que o cercam fossem responsáveis por boa parte do sofrimento de sua família? Essa é uma das questões mais interessantes levantadas por Quarteto Fantástico 1234 , minissérie escrita por Grant Morrison , ilustrada por Jae Lee e colorizada por José Villarrubia . Publicada originalmente entre 2001 e 2002, a história apresenta uma abordagem diferente da primeira família da Marvel. Em vez de concentrar sua atenção exclusivamente nas ameaças cósmicas, nas grandes descobertas científicas ou nas tradicionais batalhas contra supervilões, Morrison decide investigar algo muito mais próximo: as relações entre os quatro integrantes da equipe. E, particularmente, gosto bastante dessa proposta. Reed Richards: um gênio incapaz de compreender sua própria família? Reed Richards sempre foi aprese...

Thorgal: muito além dos vikings — quando a fantasia encontra a ficção científica

Imagem
À primeira vista, Thorgal parece uma aventura de espada e feitiçaria, próxima ao universo de Conan. Entretanto, basta avançar na leitura para descobrir uma obra muito mais ambiciosa, na qual mitologia nórdica, ficção científica, alta fantasia e drama humano se encontram de maneira surpreendente. Um clássico europeu que finalmente recebe a atenção merecida Criado em 1977 pelo roteirista belga Jean Van Hamme e pelo desenhista polonês Grzegorz Rosiński , Thorgal tornou-se um dos grandes clássicos dos quadrinhos franco-belgas. Apesar de sua importância internacional, a série nunca teve uma trajetória editorial verdadeiramente satisfatória no Brasil. Suas aventuras chegaram de maneira irregular e fragmentada, dificultando o acompanhamento de uma narrativa que ganha força justamente quando observada em conjunto. Eu mesmo já conhecia Thorgal, mas de maneira segmentada. Havia lido algumas histórias isoladas, suficientes para reconhecer o personagem e admirar seu universo, mas insuficientes p...

Por que Peter Parker não cresce? A eterna adolescência do Homem-Aranha

Imagem
  Enquanto outros heróis da Marvel amadurecem, assumem responsabilidades e constroem novas vidas, Peter Parker parece condenado a recomeçar eternamente. Seria uma necessidade narrativa ou uma decisão comercial? O Homem-Aranha que cresceu comigo — mas parou no tempo Leio Homem-Aranha desde os 13 anos. Entre 1990 e 1996, acompanhei regularmente suas aventuras, numa época em que os quadrinhos eram parte importante da minha formação como leitor. Depois de alguns anos afastado, retomei a leitura em 2002, quando a Panini começou a publicar as histórias do personagem no Brasil. Encontrei um Peter Parker diferente daquele que conhecera na adolescência. Ele já era adulto, havia assumido responsabilidades profissionais e chegado a trabalhar como professor. Mas havia algo curioso: apesar dessas conquistas, sua vida continuava marcada pelas mesmas dificuldades financeiras, instabilidades e problemas pessoais. Era como se Peter pudesse conquistar alguma maturidade, desde que não a conservasse p...

Drome, de Jesse Lonergan: quando os quadrinhos se transformam em movimento

Imagem
Autor: Jesse Lonergan Publicação original: 2025 Editora brasileira: QS Comics Gênero: Fantasia mitológica, quadrinhos experimentais Premiação: Vencedor do Eisner 2026 — Melhor Álbum Gráfico Inédito Existem histórias em quadrinhos que lemos. Outras, observamos. E algumas exigem que reconstruamos mentalmente cada movimento, como se estivéssemos assistindo a uma animação quadro a quadro. Drome , de Jesse Lonergan, pertence a essa última categoria. Mas sua ousadia não está apenas na linguagem visual. Por trás de uma narrativa com pouquíssimos diálogos, encontramos uma mitologia sobre a criação do mundo, o nascimento da civilização, a violência, a liberdade e a relação entre criadores e criaturas. É uma obra que me remeteu fortemente ao gnosticismo, sobretudo quando aqueles que parecem destinados a obedecer começam a desafiar a autoridade de seus próprios deuses. Uma história contada pelo movimento A primeira característica que impressiona em Drome é a composição das páginas. Lonergan...

Segunda Fundação, de Isaac Asimov: quem controla o destino da humanidade?

Imagem
Autor: Isaac Asimov Publicação original: 1953 Editora brasileira: Aleph Gênero: Ficção científica O grande mistério do Plano Seldon Em Fundação , Isaac Asimov apresentou uma das ideias mais extraordinárias da ficção científica: a psico-história, uma ciência capaz de prever o comportamento de grandes populações e antecipar os rumos da civilização. Hari Seldon, seu criador, havia previsto a queda inevitável do Império Galáctico. Para reduzir os milhares de anos de barbárie que se seguiriam, estabeleceu um plano destinado a preservar o conhecimento e acelerar o nascimento de uma nova ordem galáctica. Mas havia um detalhe fundamental: Seldon não criou apenas uma Fundação. Existia também uma Segunda Fundação, estabelecida no extremo oposto da galáxia, cuja localização e verdadeira natureza permaneciam envoltas em mistério. É justamente essa organização que ocupa o centro do terceiro e último volume da trilogia original. A busca pela Segunda Fundação Após os acontecimentos de Fundação e ...